domingo, 10 de maio de 2026

Nem mártir nem santa: o aprendizado que advém da maternidade

Foto: álbum de família

 Hoje, segundo domingo do mês de maio, é comemorado o #diadasmães .

As publicações nas mídias digitais dividem-se entre reivindicações a homenagens.

Eu sou mãe de dois: um homem e uma mulher. 

Nenhum dos dois estarão comigo na mesa do almoço, mas, honestamente, que bom: eles têm a vida deles. Não há amarras, obrigações entre nós, e sim uma relação amorosa, respeitosa e de troca de afetos e vivências.


Ser mãe pode ser uma opção, ou não; um sonho realizado, ou não; uma obrigação, ou não.

Um legado ou um castigo.

Para mim, é uma aventura inspiradora.

A minha experiência com a maternidade aconteceu no tempo certo. Eu não era tão jovem para época, porém jovem para os dias atuais: Tornei-me mãe aos 28 anos, a distância entre mim e minha filha caçula é de 30 anos. Sendo a quarta filha, minha mãe me pariu aos 28 anos.

Eu sou a menininha na foto do retrato que ilustra este texto.


Sem medo de ser polêmica, a maternidade me faz uma pessoa melhor

Mas, até hoje, é um desafio. Afinal, ser mãe é um aprendizado constante,  tanto para as mães como para os filhos.

Nasci e fui criada para ser mãe? Não. Aprendi a sê-lo!

Na minha época, eu não tinha rede de apoio, mas sempre tive um companheiro atuante, pai dos nossos filhos, o que contribui nessa nossa caminhada.

Eu trabalhava fora, não existia creche, a escolinha era cara - quase o meu salário-. Éramos apenas nós, não havia uma aldeia protetiva, mas ela estava lá, no inconsciente coletivo.

As nossas experiências nesta pequena família eram compartilhadas, e as lições aprendidas no dia a dia. Cada fase, sucessivamente, até agora.

Sim, mesmo com os nossos (agora quatro) filhos adultos, e a novidade de ter me tornado avó, enfrentamos desafios outros, pois a vida segue o seu curso com experiências diárias.


Uma mãe meio fora dos padrões, mas que contém todos os padrões

Hoje discute-me muito o (não) valor do cuidado, o preço da maternidade, como somos ferramenta reprodutiva e de manutenção do sistema capitalista exploratória.

Sim, a visão crítica é importante.  

Acredito, no entanto, que nós, mães, pais, filhos - gestados ou não em nossos corpos - também somos agentes de transformação social. 

Sentimos, logo existimos; logo atravessamos juntos ou separados. 

Para mim, ter me tornado mãe gerou transformações na minha vida, muito mais do que a carreira, os estudos, os títulos, os relacionamentos interpessoais e as viagens.

Uma novidade que nasceu do amor, sortuda que sou, mas também de quebras de paradigmas numa época de conservadorismo.

Ser mãe é presença, mas também ausência.

É vivenciar conquistas de relações horizontalizadas.


O melhor de mim

Sem medo de ser mal interpretada, afirmo que nem toda a mãe é uma boa mãe.  Eu faço o que posso...

Há muita dor, rancor e mágoas nesse processo de partilha;

nem sempre acertamos, e é impossível não carregar certa medida de culpa.

Por maior que seja o amor e o respeito que sinto por meus filhos e neta sou uma pessoa que erra, que pode machucar, mas que aprendeu a aprender.

Meus filhos me ensinam mais do que eu a eles, e se multiplicaram com os seus amores.

Já a nossa neta... Rosa é puro amor e diversão. 


PS: eu dedico esta reflexão para uma mulher que desejou ser mãe, e morreu tentando. Uma profissional, mulher trabalhadora, que teve sua memória profanada por uma notícia desinfeliz. Um ataque misógino a uma pessoa que não pode se defender. 

À juíza que permaneceu filha: 

Mariana Francisco Ferreira.

#BastaFolhadeSPaulo

#necromisoginia

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Toda conquista social é coletiva. Viva a consciência política e social do trabalhador /a/e



Fotos: @GazetaViews

Inúmeras dentre as nossas conquistas sociais resultam da luta coletiva, que parte da conscientização advinda do diálogo reflexivo. Mas, desde o golpe contra a Presidenta #Dilma Rousseff, em 2016 , e depois da Pandemia da #Covid19, em 2020, vivemos a intensificação das perdas de direitos e crescimento dos privilégios individuais.  É como se cada um por si fosse a nova regra, não importando o bem comum. 




Nesse cenário, que contaminou sobremaneira o ambiente político, vejo crescer um fenômeno que, em minha opinião, é perigoso: a "apolitização". Pessoas que se orgulham em dizer que não gostam e não confiam e não acreditam na política. Ou seja, os adeptos do cada um por si, que em certa medida, tem muito a ver com a filosofia da meritocracia.

Eu era uma menina quando o Brasil enfrentava os horrores da ditadura militar,  época em que os movimentos populares se uniram tanto para se proteger quanto para se emancipar. O comum era a luta, os anseios coletivos a meta. E, como os ativistas sem nome, pois integravam grupos sinérgicos, contribuíram para o resgate do povo brasileiro. A carta cidadã de 1988 reflete os resultados dessa lida.

Mas, de lá para cá, parece que esse cenário diminuiu. Será mesmo?





Boniteza é pensar e desejar e trabalhar e agir junto

Pessoalmente, vivencio experiências que provam exatamente o contrário, e que o coletivo continua ativo, embora nem tão visibilizado assim.  Há dias tive o privilégio de conhecer pessoas, vindas de todo o Brasil, que se propuseram a viajar para São Paulo para debater direitos sociais entre perdas, conquistas e propostas. Pessoas comuns, religiosos de todas as crenças, trabalhadores, sindicalistas, lideranças comunitárias, empreendedores da economia circular, ativistas, militantes, intelectuais que dialogaram entre si sobre os desafios atuais para garantir os #DireitosHumanos.


Os rostos, os sotaques, as roupas da diversidade de aproximadamente 1200 pessoas que participaram do "13o Encontro Nacional de Fé e Política: fortalecer a democracia, o esperançar e o bem viver",  realizado em São Bernardo do Campo, entre os dias 24 e 26 de abril remeteram ao Ato Político e Cultural realizado em São Paulo, em abril durante a "Jornada Continental pelo Direito de Migrar, Direitos dos Migrantes e Soberania das Nações", que reuniu cerca de 300 pessoas em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. 

Fotos: Gazetaviews



O primeiro, um encontro tradicional enquanto o segundo resultou do desafio lançado no México, em 2025.  Ambos reuniram representantes de diferentes fóruns, de lideranças dos trabalhadores à ativistas sociais, formadores de opinião e o povo migrante.




Intelectualidade orgânica

Não há limites para a troca coletiva de saberes quando pessoas de origens, classe, gênero e participação política distintas se somam para pensar o social. Assim o diálogo é horizontalizado e a luta descentralizadora. 

Quando o coletivo se sobrepõe ao individualismo, permeado pelo diálogo com os divergentes, como pediu #PauloFreire. Os dois eventos desvelaram a diversidade de rostos não afasta, mas aproxima.


Fotos: Coletivo Jornada Paulista pelo Direito de Migrar




Como eu aprendi durante esses dois encontros, que não se limitou ao presencial, mas continua em ações praticas. É claro que os "indivíduos" que prezam pelo individualismo ou lutam pelas benesses de grupos sinérgicos aprenderam a se mobilizar e fazem muito barulho e divulgam desinformação, porém eu acredito que os cidadãos e cidadãs (e) que acreditam e defendem a vida e a pessoa humana são em maior número. 

Principalmente, as bandeiras levantadas pelos "bons" não excluem sequer os "maus".


Foto: Coletivo Jornada Paulista



Foto: GazetaViews


A diversidade soma.

A individualidade reduz.

A inclusão social gerada numa roda de conversa, numa ação coletiva, não é discurso, é prática, é fato, é mudança social.

#Oamorémaiordoqueoódio. 










Nem mártir nem santa: o aprendizado que advém da maternidade

Foto: álbum de família  Hoje, segundo domingo do mês de maio, é comemorado o #diadasmães . As publicações nas mídias digitais dividem-se ent...