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| Charge: Gilmar |
Demorei para assistir #AgenteSecreto, e o fiz justamente no dia em que o filme foi indicado ao #Oscar em quatro categorias. Esta não foi à razão porque fui ao cinema.
Amei o filme, saí impactada do cinema.
O antigo conjunto de salas #BelasArtes foi renomeado com a marca #Petrobrás: feliz coincidência, pois trata-se de uma das patrocinadoras do cinema brasileiro. A sala estava (quase) vazia, sem barulho de gente mastigando, celular e/ou comentários ou conversas paralelas, para a minha sorte. Lugar ideal para imergir na história.
Confesso que não sou (ou não era) fã de #WagnerMoura, pouco sabia sobre o roteiro, e isso fez toda a diferença, para o bem e o bom, pois não sabia como seria o final...
Emocionei-me, assustei-me, fiquei tensa, esperançosa. Que filme! Já ganhou o meu prêmio de excelência.
O protagonista está impecável, e que elenco! Parece que cada um deles é o personagem principal.
Marcelo/Armando em nenhum momento remete a algum personagem de novela, ou filme ou teatro ou propaganda, e isso não é pouca coisa. A identidade do ator desaparece ao personificar vidas outras...
Mais uma vez: que filme!
Entristeci-me ao pensar que a narrativa se passa no ano de 1977, quando eu tinha 15 anos, lia dois jornais por dia, assistia todos os telejornais, considerava-me uma pessoa informada, crítica, já "de esquerda", mas, confesso, adolescente não conhecia a história por detrás da história contemporânea do Brasil; o que vislumbrei pouco depois, quando passei a cursar a faculdade de Jornalismo e a real situação do país me foi desvelada por professores, autores e colegas.
Pais e filhos
No momento que escreve este texto ouço #JoãoNogueira cantando #Espelho...
Com as fardas mais bonitas deste meu país...
Eh, vida boa, quanto tempo faz... Que felicidade! A inocência de criança de tão pouca idade...
Eh, vida à toa, Vai no tempo, vai... E eu sem ter maldade,
Mas tão habituado com o adverso
https://www.youtube.com/watch?v=EiwUxfAUno8
Numa das cenas mais bonitas do filme, em minha opinião, é claro, pai e filho se olham: o primeiro, sentado no (meio) do banco de trás do fusca amarelo (tempos que o cinto de segurança e cadeirinhas não eram obrigatórios) sorri com os olhos enquanto o pai, no volante, responde com olhares e sorrisos outros, através do espelho retrovisor.
Eles faziam planos, então.
O menino diz que está esquecendo a mãe (dor da perda), que adora os avós, que cuidam e zelam e protegem, mas que está pronto para ir morar e viver com o pai...
No final, o filho do protagonista confessa não se lembrar do pai, que o verdadeiro patriarca foi o avó -e avó- que o criaram.
Nesse meio tempo, o mesmo pai relembra que a esposa e mãe do menino (órfão pelas violências brasilis) se inspirava no senso de justiça do pai (o avô), e fez questão de especificar isso ao algoz, antevendo o que viria depois...
Anos de chumbo
O filme se passa numa época onde a corrupção era o catalizador da repressão, pois o dinheiro comprava informações e garantia execuções. A delação corria solta, assim como os pequenos e grandes crimes.
Nesse cenário, temos duas "autoridades": o policial e o padrasto. Ambos traçam os destinos dos filhos a partir das suas condutas. Ambos são filhos de criação, um "adotado" e o segundo enteado. Sim, há amor no caos. Mesmo entre os assassinos (inclusive da própria mãe).
Amor fraternal que também norteia a relação de poder dos ricos e poderosos, que perpetuam maldades impunes, mas também pode inspirar, como a personagem, Elza. Ela não especifica, mas a militância é desvelada no final do filme, numa militância inspirada no pai, que deixou a herança que permite a militância em defesa dos perseguidos, os "refugiados" pela #DitaduraMilitar no Brasil.
Onde o amor move o mundo
Mas nenhuma parentesco é maior do que o amor real. Naquele "prédio de edifício, seu moço", também moram famílias, inclusive duas mães. Uma delas, de uma menina, outra de muitos adultos, inclusive o agregado que foi discriminado e excluído da família real.
O símbolo da resistência é feminina. é Pernambucana, é humana. Uma mulher .
Com tanta vontade de dançar frevo, para celebrar novos tempos obscuros, mas com mais consciência do vivido, termino este texto ouvindo #5aSeco e #TóBrandileone cantando e tocando #Interior. Uma boa canção para refletir:
Por ser daqui conheço as ruas e calçadas, conheço o interior das casas, e o interior de quem vive dentro das casas...
Conheço histórias que há milênio são contadas, outras que foram apagadas, conheço histórias que ainda estão encasuladas, só esperando acontecer...
Recolho as impressões, curo desilusões, e faço alguns refrões das coisas que vivi,
Concentro as emoções, miro nos corações...
e quando me entristeço porque a vida passa, eu lembro do que vai nascer...
https://www.youtube.com/watch?v=NwPlUcrIGsg
(Para a Rosa, que ela possa ter boas lembranças da sua avó)
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