segunda-feira, 24 de março de 2025

Que memória estamos construindo?

Imagem: reprodução

Hoje, dia 24 de março, é dia de celebrar a Memória, a Justiça e a Verdade. 

Na Argentina é feriado nacional e o povo irmão se prepara para ir as ruas, enfrentando o governo -e a política repressora do governo #JavierMilei. Na linha de frente, as #MadresdeLaPlazadeMayo seguem incansáveis em sua busca por localizar todas, todos, todes os netos roubados das famílias após o desaparecimento, ou melhor assassinatos de seus filhos e filhas.

Em São Paulo, o governo federal ensaia uma "mea culpa" reconhecendo a negligência do Estado Brasileiro pelo silêncio que escondeu, durante décadas, os nossos desaparecidos políticos. A cerimônia, presidida pela #MinistradosDireitosHumanoseCidadania, #MacaéEvaristo, acontece no #CemitérioDomBosco, em Perus, onde foram literalmente jogados, numa vala comum, os corpos dos desaparecidos. 

Na verdade, militantes políticos foram assassinados pelo governo ditatorial brasileiro. Mas, como os ditadores não foram julgados, a verdade ainda está envolta em retóricas díspares e a justiça não pôde ser feita.

O governo Lula faz bem e mal em reconhecer. 

Bem, porque é preciso desvelar a história, mal porque os algozes costumam se calar, ou falar para confundir.

Dia 31 de março se avizinha, quando se completará 51 anos do golpe militar. Qual será o discurso da direita brasileira, então?

Entre uma efeméride e outra, no dia 28 de março, será lançado, em Brasília, o #ObservatoriodeDesaparecimentodePessoasnoBrasil . A lida será buscar os desaparecidos no cotidiano da vida. 

Estima-se que apenas ao longo de 2024, 66 mil pessoas sumiram do mapa.

 "Amigos presos, amigos sumindo assim, para nunca mais..."

No cemitério popular em Perus, anônimo até a descoberta das ossadas, em gestão petista, aliás, quando #LuisaErundina fazia história, foram encontradas 1049 ossadas. Apenas cinco foram identificadas.

No cotidiano, pessoas de todas as idades desaparecem. A maioria são mortas em conflitos vários, com a polícia, pelos bandidos, em guerras muitas. Corpos mutilados são encontrados, inclusive de crianças, corpos #LGBTQIAPN+ , corpos pretos, corpos pobres. 

Viver sem saber é pior do que receber a notícia da morte.

O livro "Os Caminhos de Maria" das jornalistas Brisa, Giovana, Juliana, Mayra e Thainá, em trabalho de conclusão de curso, relata histórias de pessoas que "saíram para comprar pão" ou "sumiram enquanto dormiam."...

O jornalista #EduardoReina coloca o dedo na ferida com sua obra #CativeiroSemFim . Sim, crianças brasileiras também foram sequestradas e adotadas ilegalmente. 

Hoje adulta, #RosangelaBurbach luta para conhecer a própria verdade:

"O governo vai me deixar morrer sem saber minha origem e o que fizeram com meus pais."

Os familiares, que somam à luta das #MãesdaPráçadaSé acreditam no reencontro.

E quem sobreviveu às torturas, quem sobreviveu às ausências?

Neste momento, a História do Brasil está sendo reescrita, e confunde mais do que esclarece.

Ainda absortos pela história recente, num tempo presente onde a Justiça repara alguns equívocos, cerca de metade da população - menos um, o que não lhes garante a maioria - acredita nas mentiras enraizadas nos livros escolares, que esconderam verdades durantes décadas, e na desinformação que insiste em mutilar a realidade.

Leio comentários insanos diariamente nas redes digitais. Daqueles que tentam justificar, com as próprias mentirar, suas personalidades excludentes.

Estive em Perus, em 1991, quando as ossadas foram desenterradas;

Tive a honra de marchar com as madres, na véspera das eleições brasileiras, quando a bandeira da democracia foi aberta, pelas matriarcasm em prol do Brasil;

Diariamente, testemunhamos desaparecimentos de brasileiros, e não podemos nos esquecer dos migrantes, que parecem terem sido apagados dos registros.

"Choram Marias e Clarices no solo do Brasil..."

Um país sem Memória nunca recuperará a sua Verdade e celebrará a Justiça.

Por isso, não podemos desistir de recontar a nossa história.

4 comentários:

  1. Grata por suas palavras tão fortes e tão necessárias!

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  2. Indignarmos-mos é preciso, ensinou #Hemfil

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  3. É. É. É o Brasil que busca esconder a história. Assim como Filinto Muller nunca foi julgado, também os esbirros da ditadura militar. E a vida segue à espera do dia da reparação.

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  4. Sim, reparação. Não desistiremos de identificar e culpabilizar os algozes. Esta é uma dívida com o nosso passado e compromete o nosso futuro

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Que memória estamos construindo?

Imagem: reprodução Hoje, dia 24 de março, é dia de celebrar a Memória, a Justiça e a Verdade.  Na Argentina é feriado nacional e o povo irmã...