terça-feira, 22 de abril de 2025

Moinho de sonhos e sobrevivência e resistência e desistências

 

Fotos: GazetaViews

 

Lembro-me das várias visitas à #FaveladoMoinho, anos atrás, em épocas de ações sindicais, quando pretendíamos conhecer, incluir, promover pelo trabalho e informação.

A liderança havia sido avisada, fomos caminhando, e recebidas no centro de convivência.

Foram vários encontros: com a advogada, debatendo direitos; com palestrantes, mobilizando para a promoção da saúde; com professores, educando pela arte; de festividades, celebrando mais um final de ano...

Naquele lugar, vi de perto as mazelas humanas, gente vivendo com restos, moradias sem estrutura, mas também muito amor e respeito.

Havia, sim, inúmeros problemas: com drogas, com lideranças, familiares como em qualquer família.

Mas também soluções.

Em cada rosto, dignidade.

Brasileiros tentando resistir, viver, sonhar.

Recordo-me especialmente das linhas coloridas da dinâmica realizada, dos olhos das matriarcas ao nos questionarem.

Os problemas do dia-a-dia, como comida, roupa, violência eram minimizados, afinal, todos estão no mesmo barco, embora em embarcações bem diferentes, não é mesmo?

Naquele lugar, havia tolerância religiosa, e solidariedade.

Muitas pessoas de fora tentando ajudar os de dentro.

Os que participavam das atividades eram gentis com os convidados, ou que não se integravam olhavam desconfiados.

Um dia, uma fumaça: o barraco da dona fulana queimou: alguém esqueceu a penela no fogo. Graças a Deus, ninguém se feriu.

Na Favela do Moinho havia certa ordem, disciplina.

De quando em quando a polícia invadia o lugar, constrangendo, prendendo, julgando com olhos preconceituosos.

Muitos dentre os moradores, principalmente as mulheres e crianças, participam da vida do bairro, frequentam as escolas, as instituições, recebem benefícios. 

Os que conseguem emprego, trabalhavam.

Os adolescentes têm oportunidades, alguns deles sucumbem aos desejos e presentes.

A vida sempre segue um rumo incerto para os moradores do lugar.


Os homens mandou derrubar

A última favela do centro da cidade resistia à especulação imobiliária, ao racismo geográfico, ao abandono do poder público municipal, à violência institucional.

Mais de 800 famílias vivem num espaço que, curiosamente, está localizado nos Campos Elísios, um bairro nobre da São Paulo antiga. 

Famílias que estão sendo coagidas a se mudarem.

O governo do Estado diz que pretende construir um parque no lugar.

Prefeito e governador vão ajudar, com R$ 800 pra auxílio aluguel e outro tanto para custear a mudança:

quem mora na cidade de São Paulo sabe que uma família não consegue alugar um quarto em cortiço por este valor. 

Além disso, onde conseguir emprego, mesmo biscate, longe do centro de São Paulo? E a transferência dos estudantes?  E a creche para as crianças?

Bem ou mal, na região central dá para ir e vir caminhando aos lugares, dá para manter um mínimo de civilidade graças à rede de serviços.

As autoridades falam em dignidade, eu pergunto:

Por que não urbanizar o lugar, garantindo o mínimo de segurança e conforto para as famílias?

Quem sabe, garantir um período de transição, quando os mais antigos e mais novos teriam tempo para se adequar a mudanças reais?

Mas, esta opção inexiste.

Os moradores do Moinho, para o poder público, são problema.

Então, é mais fácil destruir os barracos, tirar as pessoas do lugar.

Resolver o impasse plantando árvores num parque que, muito provavelmente, não haverá bancos e será cercado?

Extinguindo a Favela do Moinho quantas pessoas passarão a viver em situação de rua na capital paulista? Quando pessoas sofrerão outras violências? Quantas famílias serão desagregadas?

Há muito anos, ainda foca, cobri a minha primeira pauta de remoção de favelas, na gestão Jânio Quadros. O secretário, todo "pimpão", justificava que era o melhor para a cidade e para os munícipes.

Testemunhei o desconsolo dos pertences jogados, literalmente, em cima de caminhões.

Nunca me esqueci daquelas expressões de dor.





Uma casa, quando mora gente dentro, é um lar....

Gerações nasceram na Favela do Moinho...

Mas as autoridades não consideram aquele lugar onde moram pessoas e nasceram um espaço de direitos....

A regra excludente vale para a Favela do Moinho, para as muitas ocupações que existem na cidade, para comunidades inteiras.

A moradia, em São Paulo, cada vez mais é restrita para poucos.

Será que toda vida presta? Mesmo?

#FirstHouse  #nenhumafamíliasemteto



segunda-feira, 21 de abril de 2025

Foi-se o Papa Latino-Americano - o PapaPop, PapaChico, Papa dos Pobres

Foto da Autora

Costumo dizer que eu não sou uma pessoa religiosa, mas sou uma mulher de fé.

Eu ainda acredito, tal aquele conto infantil, não em fadas, mas em pessoas.

Seres humanos como o santo homem que nos deixou, hoje (21 de abril), num dia de feriado de herói brasileiro, o #Tiradentes, após surpreender o mundo dizendo uma frase e passeando pela praça:

Irmãos e Irmãs, #FelizPáscoa!

A presença do Papa Francisco encheu o mundo de esperança,

Teria sido esperança vã?

Sabíamos da fragilidade do homem...

Mas, Francisco não é apenas humano, foi imortalizado pelo seu exemplo de fé e respeito a todas as vidas.


Francisco e a opção pelos pobres

Quando escolhido pelos seus pares, o Santo Homem deixou claro a que veio ao escolher o nome Francisco.

Ele seria o Papa que optou pelos pobres, pelos indefesos, pelos que sofrem.

A #IgrejaCatólica, muitas vezes perplexa, dividia-se entre os admiradores e os conservadores.

O #papapop não conseguiu avançar mais...

Seus pensamentos e ações  muitas vezes foram contidos para gerenciar os conflitos, ao dialogar com os divergentes, ao avançar a passos lentos.

Mas ele tinha consciência dos seus pequenos grande atos,

e provocava, e aguçava, e avançava e dava o exemplo.

E, de certa  forma, deu fim ao conflito entre brasileiros e argentinos:


Foto: Reprodução web

Se nós temos Pelé e eles têm Maradona,

o #papafrancisco  é de todas, todes, todos!


Fui a Roma e não vi o Papa

Durante uma visita à #TerraSanta o roteiro incluiu o #Vaticano, 

Como católica não praticante, pelos pecados que carrego,

perdi-me e me achei no lugar.

Queria muito ter assistido à uma missa celebrada pelo #papafrancisco ...

Mas, ele não estava lá:

estava cuidando de assuntos mais importantes, do outro lado do mundo, visitando parte da Ásia, a Tailândia e o Japão.


Corpo ausente memória presente

O papa, de certo modo, veio até a mim,

sua presença materializou-se em forma de presente recebido da minha amiga, professora e orientadora.

Sim, ela foi a Roma, participou da missa celebrada pelo #PapaFrancisco e lembrou-se de mim.


Moral da História:

Foto da Autora

                                  Guardo o #papachico em minha lembranças.

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Abacates e a ganância humana

Fotos da autora

 Os abacates estão dentre os meus frutos preferidos.

Como-os puro, direto da casca, em iguarias doces e salgadas.

Gosto de todos, do manteiga, os verdes e redondos, os de casca roxa e até mesmo aquele pequenino, que insistem em chamar de avocado.

Os abacateiros estão em plena atividade, não estão recolhidos...

abacateiro sabes ao que estou me referindo...

Nesta época, os quintais estão fartos

Quem tem um abacateiro em casa torna-se generoso, partilhando com a vizinhança:

 saudades do seu Zé Gomes e daqueles sacos imensos do fruto.

Abacateiro, acataremos teu ato...

Mas, a ganância humana não tem limites!

Na feira de #Macondo, costumo comprar três por R$10, com direito a um maduro de cortesia; há bancas que cobram três por R$10 e os que insistem em cobrar por unidade.

Ontem, terça-feira (15/3), caminhando por #SãoPaulodosmeusamores, na praça pública, o carrinho de mão anunciava por escrito, no papelão: 

cinco abacates pequenos (avocados) ou três abacates grandes por R$10. 

Preços justos, justíssimos para um fruto que a natureza nos abençoou.

Abacateiro
Serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário

Da leveza pelo ar...

Mas, caminhando um pouco, ao entrar na lojinha de produtos naturais, aqueles que cobram o "olho da cara" porque são bons para a saúde, sou surpreendida com a placa, afixada numa pequena bacia, com meia dúzia de abacates, daqueles mais comuns, de casca verde:

Abacates orgânicos, R$16 reais o quilo.

Ora, o fruto deve ter sido colhido em algum quintal, não havia selo de certificação de produto orgânico, apenas a especulação desmedida, como vimos com os produtos alimentícios de quando em quando.

Na mesma feira, em Macondo, compro dois pés de alface em processo de certificação, os bichinhos que resgato vivos das folhas no processo de higienização (lesmas, pequenos insetos e até aranhas) comprovam que o agricultor familiar não usa agrotóxicos, custam R$ 3 o pé e R$5 o combo com dois.

Na feira da cidade grande, um pé da mesma verdura não custa menos de R$5. Um rúcula, ridiculamente custa R$9, enquanto na cidade pequena, com o dobro do tamanho, custa R$3.

Ah, mas a cadeia de produção... O transporte, o trabalho do intermediador, o combustível...

Aí, andando três quadras, na calçada em frente de casa, na cidade grande, vejo o pequeno grande abacateiro com os seus frutos...

Abacateiro, teu recolhimento é justamente o significado da palavra temporão.

Enquanto o tempo não trouxer teu abacate, amanhã será tomate e anoitecerá mamão...


Um abacate alimenta muito gente

um comerciante enriquece a si mesmo... 

Dureza mesmo é comer dos abacates da cidade grande.


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Vivemos numa democracia, os brasileiros

Ilustração: #Fragadesenhos

O ex-presidente da República do Brasil, #Jair0Bolsonaro, foi às ruas, na capital paulista, para se pronunciar.

Fez bolsonarices, como era esperado, inclusive discursar em inglês, para #Trump e #Musk entenderem?

E não foi só.

Mais importante do que o número de camisas verde-amarelo, foram os políticos que o acompanharam, e também as ausências.

O governador de #SãoPaulo, do #Amazonas, #Goiás, #MatoGrosso, #MinasGerais, #Paraná, #SantaCatarina estavam lá. 

Apoiando ou aproveitando a vitrine, ou melhor, os eleitores de voto confesso no lado direito da força "cívico-militar"?


Sociedade de direitos

Bolsonaro foi considerado inelegível, pela #Justiça;

Bolsonaro foi considerado réu pela Justiça;

Bolsonaro ainda é investigado pela Justiça.

Mesmo assim, mais do que todo o direito à defesa, ele tem a liberdade de livre manifestação...

Arrastou atrás de si nada menos do que 50 mil pessoas, numa tarde fria de domingo, onde os bolsonaristas, mais uma vez, deixaram os livros na estante...

Os presentes passaram seus recados, sobretudo deturpando a definição de direitos e o conceito de crime.

Talvez, defendendo os seus?

Anistia no olho direito arde como pimenta, não é mesmo?

O vermelho finalmente surgiu entre os manifestantes, na cor do batom.

Teria sido ato falho?


Informação é Direito Humano

Hoje é 7 de abril, #DiadoJornalista 

A profissão que escolhi numa época que o #Brasil ainda vivia sob o regime da #ditaduramilitar.

Confesso estar enojada com a mídia hegemônica, ainda estarrecida com o poder da desinformação advinda das mídias digitais.

O que mais me surpreende, no entanto, é como falta informação de qualidade aos brasileiros.

Não, a causa não são os "desertos de notícia",  a estreita ligação dos donos da mídia com o mercado financeiro, mas a falta de consciência, de vivência política de uma parcela significativa dos brasileiro

Onde não cabe divisão de classe social.

Sigo na minha lida, tentando desvelar os crimes políticos, que também são hediondos. 

Afinal, como sempre diz o meu companheiro, uma "canetada", seja de economista, como ele afirma, seja de político, como eu acrescento, fere e mata.

#semanistiaparagolpistas


quinta-feira, 3 de abril de 2025

Um passo para frente dois para trás?


Imagem: #quinhocartoon

Chego a sentir "dor" em minha alma, parafraseando #AldirBlanc, em sua parceria com #JoãoBosco.

A nossa retomada com a democracia tem sido assim.

A nossa retomada com os direitos sociais e humanos, também.

A nossa retomada do protagonismo também.


Contestando a razão

Após momentos de celebração, quando acompanhamos o desenrolar das decisões no #SupremoTribunalFederal que tornou réu o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, vemos um dos juízes fuxconfundir, fuxrelativizar e fuxremediar o debate em torno da tentativa de golpe militar na Terra Brasilis.

Também, a justiça espanhola absorver o ex-craque da seleção brasileira de futebol,  Daniel Alves, do crime de estupro contra uma mulher.

E as bravatas do presidente estadunidenses delimitando o seu poder.


Não são meros pontos de vista

Mais uma vez, a justificativa de  "falta de confiabilidade" tenta justificar o injustificável 

Algumas vezes comprometendo a credibilidade da vítima.

Noutras, invertendo valores.

Neste imbróglio, o debate sobre o gênero se inverte.

Esclarecendo a confusão:  

uma mulher, golpista, identificada em vídeos e fotografias e confessa através do pedido de desculpas que comprovam o crime contra a democracia brasileira, tem angariado simpatias de parte da sociedade brasileira, que parece conceber que apenas mulher pobre, preta, migrante, lgbtqiapn+ ou "de esquerda" cometem crime. A branca equivoca-se.

Para os golpistas, as batatas, ops reclamação de que as penas foram "exageradas".

Imagem: reprodução #blogdobrito

Por favor, senhor juiz, pare agora!


Quem assimila tanta notícia?

Tal como o juiz, parei de escrever este texto. Estarei eu me tornando repetitiva, tanta a indignação?

Interrompi a escrita.

Mas, passa boi passa boiada, ops passa noite, passa dia, e as notícias insistem em ser tão ruins...

Retomei a escrita.


As taxas da blusinha e a taxação norte-americana

O presidente dos Estados Unidos da América culpa o mundo pelas suas mazelas, e aquele "parça" brasileiro bate palmas, está feliz. 

Mais um vibrando contra o Brasil: 

o capitão golpista torce contra a própria torcida, pois como ironizou #Henfil só acredita no que o New York Times publica.

Enquanto isso, aqui no Brasil...

Ilustração: #jorgeomau


Tem político sendo cassado por comissões de ética duvidosa...

Os que burlaram as leis e a constituição se unem, se defendem.

Afinal,  no jogo político e de manutenção de direita contra a esquerda estamos levando de lavada.

Ilustração: #ethosmanifesto
Amanhã será outro dia?

Meu caro amigo, a vida tem nos pregado peças.

Precisamos nos manter atentos e fortes.







segunda-feira, 24 de março de 2025

Que memória estamos construindo?

Imagem: reprodução

Hoje, dia 24 de março, é dia de celebrar a Memória, a Justiça e a Verdade. 

Na Argentina é feriado nacional e o povo irmão se prepara para ir as ruas, enfrentando o governo -e a política repressora do governo #JavierMilei. Na linha de frente, as #MadresdeLaPlazadeMayo seguem incansáveis em sua busca por localizar todas, todos, todes os netos roubados das famílias após o desaparecimento, ou melhor assassinatos de seus filhos e filhas.

Em São Paulo, o governo federal ensaia uma "mea culpa" reconhecendo a negligência do Estado Brasileiro pelo silêncio que escondeu, durante décadas, os nossos desaparecidos políticos. A cerimônia, presidida pela #MinistradosDireitosHumanoseCidadania, #MacaéEvaristo, acontece no #CemitérioDomBosco, em Perus, onde foram literalmente jogados, numa vala comum, os corpos dos desaparecidos. 

Na verdade, militantes políticos foram assassinados pelo governo ditatorial brasileiro. Mas, como os ditadores não foram julgados, a verdade ainda está envolta em retóricas díspares e a justiça não pôde ser feita.

O governo Lula faz bem e mal em reconhecer. 

Bem, porque é preciso desvelar a história, mal porque os algozes costumam se calar, ou falar para confundir.

Dia 31 de março se avizinha, quando se completará 51 anos do golpe militar. Qual será o discurso da direita brasileira, então?

Entre uma efeméride e outra, no dia 28 de março, será lançado, em Brasília, o #ObservatoriodeDesaparecimentodePessoasnoBrasil . A lida será buscar os desaparecidos no cotidiano da vida. 

Estima-se que apenas ao longo de 2024, 66 mil pessoas sumiram do mapa.

 "Amigos presos, amigos sumindo assim, para nunca mais..."

No cemitério popular em Perus, anônimo até a descoberta das ossadas, em gestão petista, aliás, quando #LuisaErundina fazia história, foram encontradas 1049 ossadas. Apenas cinco foram identificadas.

No cotidiano, pessoas de todas as idades desaparecem. A maioria são mortas em conflitos vários, com a polícia, pelos bandidos, em guerras muitas. Corpos mutilados são encontrados, inclusive de crianças, corpos #LGBTQIAPN+ , corpos pretos, corpos pobres. 

Viver sem saber é pior do que receber a notícia da morte.

O livro "Os Caminhos de Maria" das jornalistas Brisa, Giovana, Juliana, Mayra e Thainá, em trabalho de conclusão de curso, relata histórias de pessoas que "saíram para comprar pão" ou "sumiram enquanto dormiam."...

O jornalista #EduardoReina coloca o dedo na ferida com sua obra #CativeiroSemFim . Sim, crianças brasileiras também foram sequestradas e adotadas ilegalmente. 

Hoje adulta, #RosangelaBurbach luta para conhecer a própria verdade:

"O governo vai me deixar morrer sem saber minha origem e o que fizeram com meus pais."

Os familiares, que somam à luta das #MãesdaPráçadaSé acreditam no reencontro.

E quem sobreviveu às torturas, quem sobreviveu às ausências?

Neste momento, a História do Brasil está sendo reescrita, e confunde mais do que esclarece.

Ainda absortos pela história recente, num tempo presente onde a Justiça repara alguns equívocos, cerca de metade da população - menos um, o que não lhes garante a maioria - acredita nas mentiras enraizadas nos livros escolares, que esconderam verdades durantes décadas, e na desinformação que insiste em mutilar a realidade.

Leio comentários insanos diariamente nas redes digitais. Daqueles que tentam justificar, com as próprias mentirar, suas personalidades excludentes.

Estive em Perus, em 1991, quando as ossadas foram desenterradas;

Tive a honra de marchar com as madres, na véspera das eleições brasileiras, quando a bandeira da democracia foi aberta, pelas matriarcasm em prol do Brasil;

Diariamente, testemunhamos desaparecimentos de brasileiros, e não podemos nos esquecer dos migrantes, que parecem terem sido apagados dos registros.

"Choram Marias e Clarices no solo do Brasil..."

Um país sem Memória nunca recuperará a sua Verdade e celebrará a Justiça.

Por isso, não podemos desistir de recontar a nossa história.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

O Brasil somos todos os que vivemos aqui

Foto: reprodução Instagram #Lulaoficial

Perdoe-me presidente #LuizInácioLuladaSilva .

Desta vez, eu discordo de você.

Isso é bom, já que praticamente concordamos em tudo.

Eu admiro e prática da comunicação corporal, onde, literalmente, vestimos o que pensamos,

quando visamos afetar a maior parte daqueles e daquelas que cruzam os nossos caminhos.

Eu mesma tenho camisetas, saias, vestidos e até toalhas com mensagens escritas que eu quero passar para a frente, 

sem falar nos broches na minha mochila e nas sacolas ecológicas.

Porém...

A frase no boné:

O Brasil é dos Brasileiros,

desapontou-me demasiadamente.

Que frase infeliz!

O Brasil é dos brasileiros?

Soa-me xenofobia.

Sobretudo neste momento em que vivemos, quando os migrantes são os inimigos da vez.

Os indesejáveis que estão alterando o mapa do mundo.


As palavras foram feitas para dizer

Eu sei que não foi esta a sua intensão.

Mesmo porque a lei afirma que o Brasil é um país de fronteiras abertas.

A nossa história está alicerçada na multiculturalidade.

Afinal, excluindo alguns poucos povos originários, todos somos estrangeiros no nosso país.

Então, se é para escrever uma frase para "fazer cabeças", que seja algo como:

O Brasil é de todos, todas e todes que vivemos aqui, brasileiros ou não.

Esta, sim, seria uma frase de impacto!

Remetendo - mais uma vez, a #GracilianoRamos, eu insisto que as palavras não foram feitas para enfeitar.

Uma comunicação oficial, que visa à população em geral, não pode conter dupla interpretação.

Tem de ser direta, verdadeira e excluir ao máximo possibilidades de análises equivocadas.

A frase do boné, penso eu, remete ao nacionalismo exacerbado, usado por ex-presidentes ao longo da história, passa uma mensagem excludente.

Só serve para confundir. 

Nós, seus eleitores e seus admiradores, acreditamos em você como o único ou principal caminho para manter a justiça social em solo brasileiro.

São mais de cinco séculos de imigração e algumas décadas de migração.

Nós, o povo brasileiro somos resultado dos fluxos migratórios.

E cada vez mais de nós temos dupla cidadania, estrangeiros ou nascidos aqui.


Se é para usar boné

Lembro-me de um presidente, o "caçador de marajás",  que usava as camisetas para se comunicar com os eleitores.

Pensando com a minha cabeça descoberta:

quando vislumbramos a volta da polarização política - inclusive a moda dos bonés com dizeres já antecipa o cenário de 2026 - devemos ser mais cuidadosos.

Seguir a orientação de #Paulo Freire (a máxima da sua campanha recente) e dialogar com os divergentes.

Você, Lula, não precisa de camiseta, de bonés, pois você tem a força da sua voz, da sua comunicação corporal, da sua trajetória.


#migaréumdireito

#nenhumserhumanoéilegal

#Brasildiverso

#Brasildetodostodastodasosquequiseremviveraqui

#eleições2026




Viva o povo brasileiro

Fotos: @gazetaviews Poucos minutos após o Tribunal Superior Eleitoral brasileiro anunciar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silv...